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JUSTIÇA • JUSTICE

128ª Produção

FICHA ARTÍSTICA | CAST AND CREW

autor | author Camilo Castelo Branco

dramaturgia e encenação | dramaturgy and direction Rui Madeira

elenco | cast André Laires, António Jorge, Carlos Feio, Eduarda Filipa, Jaime Monsanto, Rogério Boane, Solange Sá

cenografia | sets João Dionísio

figurinos | costume designer Manuela Bronze

desenho de luz | light design Nilton Teixeira

criação vídeo | video design Frederico Bustorff

criação sonora | sound design Pedro Pinto

fotografia e design gráfico | photography and graphic design Paulo Nogueira

SINOPSE

No contexto da obra Camiliana a vertente dramática é a que tem merecido menos apreço da crítica literária, contudo, se analisarmos com atenção, veremos que aí estão as forças motrizes da produção novelística do Autor. O melodrama histórico; o melodrama burguês (onde se insere a Justiça) e a comédia, dão nota cabal das preocupações éticas e filosóficas do autor, do seu modo de encarar o mundo e o país, os costumes e a realidade circundante, num contexto quase sempre autobiográfico. Em Justiça estamos num olhar peculiar sobre a sociedade e os costumes .

De um lado a utopia de uma sociedade que deveria nobiliar-se pela honra e pelo trabalho, a apologia do self-made man que, saído da pobreza, conquistará o seu espaço com probidade. Na trincheira oposta, os homens de mármore, corações empedernidos, adoradores do bezerro de ouro numa sociedade em que o homem era lobo do homem. De um ângulo frémito social e tribunício espelhava as aspirações de uma classe em luta contra a aristocracia empobrecida e decadente, a viver a glória enferrujada dos seus brasões. Do outro lado, o combate ao argentarismo sem entranhas do capital especulativo que visava impor a essa mesma burguesia um modelo ético que a dignificasse.

Rui Madeira

In the context of Camilian work the drama strand has earned less appreciation of literary criticism, however, if we look carefully we’ll find there the driving forces of novelistic production of the author. The historical melodrama; the bourgeois melodrama (which includes the Justice) and comedy, give full note of the ethical and philosophical concerns of the author, the way he sees the world and his country, the manners and the surrounding reality in a context almost always autobiographical. In Justice we have a peculiar glimpse of the society and its customs.

In one side, the utopia of a society that should be noble by honor and work, the worship of the self-made man that, led out of poverty, conquers his space with probity. In the opposite trench, the men of marble, hardened hearts, Golden Calf worshipers in a society in which man was the predator of man. In a social angle and tribunician thrill that mirrored the aspirations of a class fighting against the impoverished and decadent aristocracy living the glory of rusty coats of arms. On another hand, the fight against plutocracy with no guts of the speculative capital that aim to impose to that same bourgeoisie one ethical model that should dignify it.

Rui Madeira

Estreia 16 de Abril de 2016 | Premiere April 16, 2016