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TRILOGIA ORESTEIA (AGAMÉMNON. COÉFORAS. EUMÉNIDES.) • ORESTEIA TRILOGY (AGAMEMNON. THE CHOEPHORI. THE EUMENIDES.)

ORESTEIA
ORESTEIA III
ORESTEIA II
ORESTEIA I
ORESTEIA V
ORESTEIA IV
ORESTEIA VII
ORESTEIA IX
ORESTEIA VI
ORESTEIA VIII

115ª/116ª/117ª Produção

FICHA ARTÍSTICA | CAST AND CREW

autor | author Ésquilo

tradução | translation Doutor Manuel de Oliveira Pulquério

dramaturgia e encenação | dramaturgy and directed by Rui Madeira

apoio dramatúrgico | dramaturgical support Doutora Ana Lúcia Curado

assistente de encenação | director assistant Marta Gomes, Nuno Campos Monteiro

olho | eye Marta Gomes

elenco | cast Ana Bustorff, André Laires, António Jorge, Carlos Feio, Eduardo Chagas, Frederico Bustorff Madeira, Jaime Monsanto, Rogério Boane, Rui Madeira, Sílvia Brito, Solange Sá

coros* | choruses* Amália Oliveira, Ana Cristina Oliveira, André Antunes, André Pacheco, Cristiano Lima, Deolinda Mendes, Gisela de Faria, Helena Guimarães, Hugo Silva, Humberto Silva, Joana Palha, João Chelo, Joaquim Carvalho, Jorge Bentes Paulo, José Augusto Ribeiro, José Domingos Marinho, Judite Pregueiro, Maria do Céu Costa, Maria Elisa Fernandes, Maria Julita Capelo, Manuela Artilheiro, Samuel Gomes, Susana Silva, Tatiana Mendes, Teodorico Enes, Teresa Ferreira

cenografia e figurinos | sets and costume design Samuel Hof

conceção de máscaras | masks designer António Jorge

design de luz | light designer Fred Rompante

design de som | sound designer Luís Lopes, Pedro Pinto

design gráfico | graphic design Carlos Sampaio

fotografia | photography Paulo Nogueira

criação vídeo | video designer Frederico Bustorff Madeira

* participantes nas oficinas do Projecto BragaCult

* participants in the workshops of the Projecto BragaCult

Co-produção com Braga 2012 – Capital Europeia da Juventude; Theatro Circo de Braga, Companhia de Teatro de Almada, Teatro Aveirense e Teatro Constantino Nery (Matosinhos) no âmbito de Acto 5, projecto nacional de criação e programação em rede; Circuito de Teatro Português de São Paulo; Dragão 7 – Instituto de Artes, Intercâmbio e Cidadania de São Paulo (Brasil) e apoio da Cena Lusófona; e Projecto BragaCult.

Creation as part of Braga 2012 – European Capital of Youth program, that CTB proposes to co-produce with other national and international structures, namely: Theatro Circo (Braga), Teatro Municipal de Almada, Teatro Aveirense and Teatro Constantino Nery (Matosinhos) as part of Acto 5 – a national project for network programming – and Circuito de Teatro Português de São Paulo (Brazil), and Dragão 7 – Instituto de Artes, Intercâmbio e Cidadania de São Paulo (Brazil).
It will seek support for production in Braga 2012 – European Capital of Youth program, Projecto BragaCult, within the framework of parallel workshops, Cena Lusófona, and will also seek support to the Brazilian tour, as part of Cultural celebrations of Portugal/Brazil.

M/12 | 12 years and up

SINOPSE

“Consagro as minhas tragédias ao tempo”
Ésquilo
“Contemplai os dois tiranos da pátria, assassinos de meu pai e destruidores desta casa…”
Orestes /Coéforas
Oresteia, uma tragédia da Europa.
em busca de um teatro político

Com Oresteia, queremos fixar-nos na contemporaneidade. Em NÓS! Nesta nossa – por herança de bastardos – Europa. Essa mítica, bela e quente Europa que se banhava no Poleponeso, amamentada no berço pela Hélade para não deixarmos que a Memória nos atraiçoe. A velha vontade, há tanto acalentada, de destruição da nossa querida Europa recrudesce e os novos turcos, são afinal os nossos irmãos de ontem. Eles estão hoje no meio de nós e esperam o momento.
Com Oresteia, queremos fixar-nos na Europa a partir do sul. Com os pés nas areias mediterrânicas, num tecto de estrelas, com o azeite a alumiar e um ramo de oliveira na mão…
A Europa perdeu o rumo na volta da guerra. Os comandantes tresmalharam-se, embebedaram-se e ufanos de poder, declararam guerra aos povos. Esta Europa, casa dos Átridas, berço de nações e de culturas, de hábitos de convivência entre homens e deuses está cativa, qual Cassandra.
A Europa, esta Europa toda, arrogante e faminta, sobrinha de todos os aleijados mentais da segunda guerra, é a Europa de líderes/títeres, com armaduras de deuses num Olimpo de circo. Com máscaras de olhos vazios e dentes roubados nos campos de concentração, funis de petróleo nas bocas e coturnos feitos de ossos nas valas comuns. Continuam a arrasar altares, pois já nada os indigna. Já não há deuses que nos acudam, nem homens que os interpelem.
A nossa Europa é hoje uma massa informe, gelatinosa, que se apega ao que passa.
Com Oresteia, as máscaras desta tragédia europeia, escondem rostos singulares, de “deuses castigadores que a democracia erigiu,” e que do alto do seu Olimpo olham com jactância os Coros de deserdados que vagueiam atordoados e começam a interrogar o capital, esse deus ex-máquina.
E assim, nesta trilogia trágica, entre deuses sem linhagem e humanos desumanizados, se ensaiará um novo paradigma de JUSTIÇA.
Com Oresteia o que se conta é a história desta Europa, depois da segunda guerra, alquebrada e moribunda, cansada da vitória. Dividida como uma família desavinda onde impera o ódio, a inveja e a intriga. Esta Europa/Clitemnestra a um passo, puta e mãe, Agamémnon e Egisto, Orestes e Electra. Esta Europa com tantas Cassandras no ouvido.
Esta Europa, a mediterrânica, tem de libertar-se e acabar de vez com os velhos deuses que nos querem enlouquecer. Nem estamos condenados, qual Efigénia, nem somos tão volúveis, quanto Helena. A guerra, esta guerra é para ser ganha pelo Coro de cidadãos de Atenas…

Rui Madeira

“I dedicate my tragedies to Time”
Aeschylus
“Behold this twofold tyranny of our land. They that slew the father and despoiled the house.”
Orestes/The Choephori
The Oresteia, Europe’s tragedy
searching for a political theatre

With Oresteia, we want to establish ourselves in the contemporaneity. In OURSELVES! In our – by bastards’ heritage – Europe. In this mythical, beautiful and hot Europe, which bathed itself in Peloponnesus and was breastfed in the crib by Hellas, so that we don’t let Memory betray us. The old will of destruction of our beloved Europe, for so long cherished, now rages and the new Turks are, after all, our brothers of yesterday. Today they are among us and waiting for the moment.
With Oresteia, we want to establish ourselves in Europe starting from the South. With our feet in the Mediterranean sands, a ceiling of stars above, illuminated by an oil lamp and with an olive branch in our hand…
Europe has lost its route when returning from the war. The commanders scattered, drunk and, puffed up of power, declared war on people. This Europe, home of Atreus, crib of civilization and cultures, with habits of acquaintanceship between humans and gods is captive like Cassandra.
Europe, this whole Europe, arrogant and hungry starved, niece of all mental cripple from the Second World War, is the Europe of leaders/puppets, with armour of gods on an Olympus circus. With masks of empty eyes and teeth stolen on concentration camps, oil funnels in their mouths and outline made of bones in mass graves. They continue to raze the altars, because nothing arouses indignation anymore. There are no gods to save us, neither men to call them.
Our Europe is now a shapeless jelly-like mass that clings to what happens.
With Oresteia, the masks of this European tragedy hide singular faces of “punishing gods that democracy erected”, and from the top of their Olympus, they look with boast the Chorus of disinherited that wander dazed and begin to interrogate the capital, such ex-machine god.
And so, in this tragic trilogy, between gods without lineage and human dehumanized, we will rehearsal a new paradigm of JUSTICE.
With Oresteia, what is told is the history of this Europe, after de second war, prostrated and dying, tired of victory. It is divided as a disagreed family, where hatred, jealousy and intrigue prevail. Such Europe/Clytemnestra is one step closer, whore and mother, Agamemnon and Aegisthus, Orestes and Electra. This Europe with so many Cassandras in the ear.
This Europe, the Mediterranean, has to free itself and finish once and for all with the old Gods that want to madden us. Nor are we condemned, as Iphigenia, nor are we so fickle, as Helena. The war, this war, is to be won by Choirs of Athenian citizens.

Rui Madeira