close

SABINA FREIRE

SABINA FREIRE III
SABINA FREIRE II
SABINA FREIRE I
SABINA FREIRE
SABINA FREIRE V

105ª Produção

FICHA ARTÍSTICA

autor Manuel Teixeira Gomes

encenação Rui Madeira

elenco CTB André Laires, Carlos Feio, Jaime Soares, Solange Sá, Thamara Thaís

elenco d’A Escola da Noite António Jorge, Lina Nóbrega, Miguel Magalhães, Ricardo Kalash, Sílvia Brito

cenografia Rui Anahory

figurinos Sílvia Alves

design de luz Fred Rompante

design de som Luís Lopes

design gráfico Carlos Sampaio

Co-produção com A Escola da Noite.

SINOPSE

Sabina Freire. O espectáculo e os Portugueses

Em Sabina Freire, sejamos claros, estamos numa verdadeira luta de cabeças. E essa luta é uma luta de fêmeas! As mulheres mandam. Os homens fazem parte do universo dos fantoches. Mesmo quando Júlio se atreve a abandonar a dor de cabeça para o confronto derradeiro com Sabina, o resultado é ficar finalmente a conhecê-la. Se analisado na época em que foi escrita e se analisado hoje, passados quase 100 anos, deslumbramo-nos (se nos soubermos deslumbrar) com o material Sabina, que Teixeira-Gomes nos legou. Nós, portugueses, tão velhos como afirmamos e tão incapazes de nos descobrirmos na modernidade que transportamos. Tão ciosos das nossas vitoriazinhas morais, tão mesquinhos e fanfarrões, tão capazes de cuspir para o ar e tão invejosos da saliva dos vizinhos, «espreitas» profissionais, serventuários sem espinha, intrujões na auto-estima e portadores no ADN de ontológico sentimento de inferioridade congénito, fomos e somos «vistos à lupa» pela cabeça de Teixeira-Gomes. Continuamos um povo em ruínas, em que o Castelo de Silves, como diz Sabina é «a sua mais nobre ruína, a sua única ruína histórica», pensa ela, «nesta região só abundam monumentos e ruínas nos corações e nas almas! E no entanto eu levo daqui a impressão de uma terra luminosa, onde tudo sorri… Se eu a povoasse de novo e a meu jeito podia ser feliz vivendo nela…» é, quiçá um bom exemplo. Pouco ou nada mudou de relevante entre o tempo da escrita de Sabina e o tempo em que a vamos representar. E aí reside a grandeza do Autor e a pequenez dos «observados». Por isso Sabina antes da partida dispara ainda «Excluía a gente velha: crisol do egoísmo sem graça; os padres: e talvez os poetas líricos da espécie do Júlio.»

Rui Madeira