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Programa

Programa de actividade da CTB para o quadriénio 2013-2016

LIBERDADE. SOLIDÃO. CIDADANIA. VIAGEM.

A actividade da CTB no quadriénio 2013/2016, nas áreas da criação teatral e da formação de públicos, desenvolver-se-á a partir de três conceitos estruturantes: Liberdade. Solidão. Cidadania. A criação artística centrar-se-á na questão da Liberdade e da Solidão. A formação de públicos manter-se-á, tal como nos dois anos anteriores, sob o signo da Cidadania, estruturada na continuação do BragaCult- projecto em parceria para a formação de públicos, agora já sem financiamento QREN, mas com renovada importância. A circulação nacional e internacional sob o signo da Viagem.
Na criação teatral a escolha dos autores e dos textos, bem como a dramaturgia dos mesmos, assentam na reflexão sobre o indivíduo em sociedade. A Cidade como espaço público asfixiante e a Casa como espaço íntimo de Liberdade. Uma e Outra num itinerário de abandono, de desistência, de perda de dignidade. E a luta quotidiana de cada um para resistir. Com que armas? Eis a questão.
Está na matriz do nosso projecto artístico a preocupação recorrente de temáticas como Liberdade, Morte, Conjugalidade, Solidão, Solidariedade.
Os espectáculos da CTB pretendem ser testemunho dos tempos que vivemos, abordemos os clássicos ou os contemporâneos. E estes tempos, de guerra declarada dos governos contra os povos, mais responsabilizam os criadores na busca, identificação e fixação dos sinais que vamos descortinando. Há hoje uma preocupante e trágica desvalorização da Palavra, seja no plano político, seja no plano ético. Coisificamos e relativizamos tudo e tornamo-nos irresponsáveis por isso. Como a palavra, também o conceito do trágico sofreu, no decorrer dos tempos, modificações, mas nunca nos imaginámos tão perto duma nova ideia de tragédia. Agora mais profunda e dolorosa, que interroga cada um e a que, talvez, pela surpresa, já não saibamos responder.
Assim, a alguns espectáculos sobre estas temáticas que vêm dos anos anteriores, como Concerto “à la Carte”, como Oresteia, como A Arte do Futuro/Último Acto, juntam-se agora, nestes dois próximos anos, de modo mais concreto, Conversa com o Homem Roupeiro de Ian McEwan; Sabe Deus Pintar o Diabo de Abel Neves (texto inédito escrito para a CTB); As Orações de Mansata de Abdulai Sila, (co-produção no âmbito da Cena Lusófona, entre a AD – Acção para o Desenvolvimento e Centro de Intercâmbio Teatral/Guiné Bissau; CTB; A Escola da Noite; Elinga Teatro de Luanda/Angola; e Teatro Vila Velha de Salvador da Bahia/Brasil) que integra actores portugueses, brasileiros, guineenses, angolanos e são-tomenses. No Alvo de Thomas Bernhard; Uma Picasso de Jeffrey Hatcher e Os Desaparecidos, texto de A. Schipenko a partir de Amerika de Kafka (uma co-produção com o grupo Ó-Team de Berlim em parceria com Ballhaus Ost de Berlim; Theaterhaus Jena; Pathos Transport Theatrer de Munique e Theaterhaus Stuttgart). E ainda a criação para a infância, Os Músicos de Bremen dirigido por José Caldas.
Para o segundo biénio (2015/2016) dentro da imprevisibilidade prevista estão programadas as seguintes criações: A Oratória do Vento de Vergílio Alberto Vieira; Sumidouro de Jorge Andrade (co-produção CTB/A Escola da Noite/Grupo TAPA de São Paulo/Brasil); As Criadas de Jean Genet; e um espetáculo realizado a partir de um texto original de José Mena Abrantes (co-produção CTB/Elinga Teatro de Luanda/Angola).

Tudo isto organizado numa espécie de Grande Circo da Vida: Liberdade e Solidão.
Será o nosso contributo de artistas empenhados, na procura de uma sociedade onde a dignidade humana, o respeito pelo Outro e pela diversidade cultural, nos convoque a todos para um outro Tempo e uma nova Cidade.
Considerando os tempos difíceis que estamos atravessando, a CTB propõe no âmbito das novas criações uma série de espectáculos de média dimensão, com elencos reduzidos, de modo a rentabilizar custos e a potenciar a circulação dos mesmos, quer em território nacional quer no estrangeiro. Manteremos em cartaz, no entanto, alguns espectáculos de maior dimensão, pela sua importância e interesse dos públicos, casos da trilogia Oresteia e Auto da Barca do Inferno e outros que, pela sua natureza e aceitação, continuam a fazer sentido. Valorizamos o facto de conseguirmos manter em cartaz, três quartos das criações de anos anteriores, como exemplo do conceito de Companhia.
Na Viagem (nacional e internacional), valorizando a ideia que perseguimos de usar Braga e o Theatro Circo como Lugar de Encontro entre a Europa e a Lusofonia, contaremos nestes dois primeiros anos de trabalho com criadores de Angola, Moçambique, Brasil, Portugal, Rússia e Alemanha. E a CTB (e artistas seus) apresentar-se-á em Espanha/Galiza; Angola; São Tomé, Guiné; Brasil; Ucrânia; Alemanha.
O programa que aqui se apresenta assume, na actual conjuntura, dois propósitos essenciais quanto ao projecto da Companhia de Teatro de Braga:
1. Manter a preocupação de qualidade artística na criação e na formação dos públicos.
2. Resistir à crise com atitude, trabalho e ideias de futuro, para uma mais qualificada cidadania.

Rui Madeira, director

CTB’s activity program for the quadrennium 2013-2016

FREEDOM. SOLITUDE. CITIZENSHIP. JOURNEY.

CTB’s activity for the quadrennium 2013/2016, in the areas of Theatrical Creation and Audience Formation, will develop from three structural concepts: Freedom. Solitude. Citizenship. Artistic Creation will focus on the issues of Freedom and Solitude. The Audience Formation will remain, as in the two previous years, under the sign of Citizenship, structured from the continuation of BragaCult – projecto em parceria para a formação de públicos (project in partnership for the audience formation), now without the QREN funding, but with renewed importance. The National and International circulation of CTB’s projects under the sign of Journey.
In Theatrical Creation, the choice of authors and texts, as well as their dramaturgy, is based on the consideration of the individual in society. The City as an asphyxiant public space and the House as an intimate space for Freedom. One and Another on the tracks for abandonment, withdrawal and loss of dignity. And their daily struggle to resist. With which weapons? That is the question.
It is in the core of our artistic project the recurrent concerns of themes like Freedom, Death, Conjugality, Solitude, Solidarity.
The performances of CTB claim to be witnesses of the times we live on; either we approach the classics or the contemporary. And these times (of declared war from the governments against the people) increase the responsibility of the creators, in their search, identification and attachment of signs that we are unveiling. Today there is a disturbing and tragic devaluation of the Word, both on the political and on the ethical planes.
We “thingify” and “relativise” everything, and because of that we become irresponsible. Just like the word, Tragic’s concept suffered in the course of time, but we never imagined ourselves so close to a new idea of Tragedy. Now, more profound and painful, interrogating each one of us and surprising us, perhaps, leaving us with no answer.
Thus, to some shows about these themes that came from the previous years, like Concert “à la Carte”, Oresteia, and The Art of the Future / Last Act, we add, on these next two years, more concretely, Ian McEwan’s Conversation with a Cupboard Man, Abel Neves’s Sabe Deus pintar o diabo (God Knows How to Paint the Devil) (unpublished text written for CTB), Abdulai Sila’s As Orações de Mansata (The Prayers of Mansata) (co-production within Cena Lusófona, between AD – Acção para o Desenvolvimento e Centro de Intercâmbio Teatral/Guiné Bissau; CTB; A Escola da Noite; Elinga Teatro de Luanda/Angola; and Teatro Vila Velha de Salvador da Bahia/Brasil) that integrates Portuguese, Brazilian, Guinean, Angolan and São Tomé’s actors. Thomas Bernhard’s No Alvo (On the Mark); Jeffrey Hatcher’s Uma Picasso and The Lost, a A. Schipenko’s text from Kafka’s Amerika (co-production with the group Ó-Team from Berlin in partnership with Ballhaus Ost from Berlin also; Theaterhaus Jena; Pathos Transport Theatrer from Munique and Theaterhaus Stuttgart). Also, CTB adds a new creation for children, Os Músicos de Bremen (The Musicians of Bremen), directed by José Caldas.
For the second biennium (2015/2016), within the predictable unpredictability, the following creations are programmed: Vergílio Alberto Vieira’s A Oratória do Vento (Wind’s Oratory); Jorge Andrade’s Sumidouro (co-production CTB/A Escola da Noite/Grupo TAPA from São Paulo/Brasil); Jean Genet’s As Criadas (The Maids); and a play produced from an original text of José Mena Abrantes (co-production CTB/Elinga Teatro de Luanda/Angola).

All this organized on a kind of Big Circus of Life: Freedom and Solitude.
It will be our contribution of committed artists, in our search for a society where Human dignity and the respect for the Other and for the Cultural diversity, convene us all to another Time and another City.
Regarding the difficult times we are going through, CTB proposes, within its new creations, a series of shows of medium dimension, with small casts, in order to monetize costs and potentiate its circulation both within the country and abroad. Still, we will maintain some shows of larger dimension, because of its importance and interest to the audiences, like Oresteia and Act of the Ship of Hell, as well as others that, because of their nature and acceptance, continue to make sense. We value the fact that we can maintain three quarters of our creations from the previous years, as an example of the Company’s concept.
In the Journey (both National and International), highlighting the concept we’ve been chasing of using Theatro Circo and Braga as a Meeting Point between Europe and Lusophony, we will host in the following two years creators from Angola, Mozambique, Brazil, Portugal, Russia and Germany. And CTB (and its Artists) will move to present themselves at Spain/Galicia; Angola; São Tomé; Guinea; Brazil; Ukraine; Germany.
The program here presented serves, nowadays, two essential purposes in CTB’s main project:
1. To keep focused and concerned about the Artistic Quality of Creation and Audience Formation.
2. To resist the crisis with attitude, work and future ideas, towards a qualified citizenship.

Rui Madeira, Director